cantinho da folia

origem dos abadás

Em outros carnavais, onde imperava o ENTRUDO, as pessoas brincavam envoltos em cobertas de taco ( a fantasia era chamada de ESTEIRAS DE CATOLÉ ) ou usavam CAMISETAS LONGAS ou usavam "perna de pau" (tipo equilibrista de circo) com o corpo inteiro coberto com um camisetã até o chã, já essa fantasia era chamada de ABADÁ.

Quem usavam estilos de fantasias grotescos eram chamados de CARETAS. O careta era o pierrô mascarado; a mortalha era a liberdade descarada. Essa fantasia também tinha um capuz, mas logo o governo militar proibiu as máscaras.







afinal o que é abadá?
é uma fantasia de identificação dos associados, que permite sua entrada no bloco. Por isso, deve-se ter cuidado a cortá-la, já que o símbolo de identificação do bloco tem que ser mantido. O associado ao comprar o abadá; tem direito a um kit fantasia, composto por um short, uma camisa e acessórios. A fantasia do bloco sempre foi o abadá ? - Não, nos primeiros carnavais usavam-se vestidos e chapelões estilo belle époque, vestidos longos de corso onde participavam dos grandes bailes no Teatro São João ou desfilavam em carros abertos, na segunda metade do século XX. Mais tarde passou a ser mortalhas, parecido com um vestido longo e era somente de tecido estampado. A malha só passou a ser usada em abadás à partir da criação para o Bloco Eva no Carnaval de Salvador 1993 e nos anos seguintes, os demais blocos aderiram.


"... de abadá ou de pipoca, nada mais importa, eu vou me acabar ..."
("Abadá e Pipoca", música da Banda Bom Balanço - vocal Pierre Onásis) - SEE+


como surgiram os abadá?
Até os anos 60, predominavam os pierrôs, piratas, marinheiros e as caretas (máscaras). Mas a indumentária carnavalesca evolui no ritmo da folia, assim as fantasias e máscaras deram lugar às mortalhas, isso por volta dos anos 70. As mortalhas eram uma espécie de vestido longo, sem mangas, com um racho nas laterais da cintura pra baixo, para facilitar a movimentação dos pés, acompanhada por uma tira para amarrar na cintura e acomodar/dobrar o tecido conforme a imaginação, o que não tinha muitas opções. A maioria das mortalhas eram fabricadas com tecido grossos, tornando a utilização um tanto incômoda e quente. No início, cores fúnebres como preto-roxa e ostentava uma grande cruz na frente e outra nas costas, além de um capuz como adereço. Com o passar do tempo aderiram à mortalhas coloridas e alegres emblemas e patrocinadores dos blocos dão forma ao design à essa fantasia momesca. Lembrando que no passado, mergulhando na história carnavalesca, o abadá era considerado uma camiseta comprida - vide origem do abadá.


mortalha
No final dos anos 60 surge a MORTALHA, que era uma túnica reta, estilo camiseta longa, sem mangas, preta ou com cores bem escuras. Segundo o designer carnavalesco Pedrinho Rocha "Era uma fantasia prática, barata e irreverente, contrapartida a tantos CARETAS que ainda povoavam um carnaval moldado ao estilo europeu. O careta era o pierrô mascarado; a mortalha era a liberdade descarada. Essa fantasia também tinha um capuz, mas logo o governo militar proibiu as máscaras. As mortalhas trocaram suas cruzes e cores fúnebres pelo colorido psicodélico e frases que expressavam as novas liberdades: sexo, comportamento e drogas. No carnaval era proibido proibir!

Na metade dos anos 70 a mortalha já era vestimenta predileta dos pequenos blocos que não tinham grana para fantasias mais elaboradas. Alguns desses tornaram-se grandes e viraram ícones da folia, com suas mortalhas desejadas e disputadas que combinavam perfeitamente com o ritmo cadenciado das batucadas. Foi o caso do Bloco Jac´, Bloco Barão, Bloco Top 69, dentre outros".

As confecções se rendem às cifras da folia e no final dos anos 70, os blocos aderem por mortalhas mais curtas, um pouco abaixo dos joelhos. Entre 1975 e 1983, a mortalha foi cedendo lugar ao macacão e ao short.

"A mortalha perdeu seu tom escuro e ganhou uma multipluraridade de cores" e passou a ser o traje carnavalesco dos blocos que desfilavam no Carnaval de Salvador, na Bahia (Brasil), mas a utilização da túnica para as mulheres era incómoda. Segundo relato da pesquisadora Lilian Cristina Marcon: "Era difícil aturar o pano enorme jogado sob seu corpo grudando ao pular com o calor incessante da Bahia [...] assim, cortamos metade da vestimenta, e, para não vestir a túnica reta, aderimos por utilizar uma faixa do mesmo tecido na cintura. E com isso, fomos barradas na entrada do bloco. Como? Meu primeiro Carnaval em Salvador (1993), meu primeiro dia de desfile num Bloco, não iria acontecer? Vieram cordenadores, monitores e até o Diretor do Bloco apareceu no fuzué, enfim, como éramos Turistas e desinformadas, tivemos que seguí-los até o carro de apoio para substituir o abadá. E mesmo ter mantido o "logo obrigatório" do bloco na fantasia e que nada dizia no "Manual do Folião" (vinha com a mortalha);, alegação que era regra do bloco, apenas isso. A sorte que no mesmo ano, tive o previlégio de ter sido uma dos foliães que usaram pela primeira vez no desfile um abadá, vestimenta que mudou o rumo da folia carnavalesca na Bahia."

Em 2014 o grupo Alavontê - O Movimento Musical Alavontê estreou uma festa temática durante o Carnaval de Salvador, no Camarote Lícia Fábio - localizado na Barra.

A festa "Alavontê de Mortalha" tinha a intenção de reviver o clima dos carnavais das décadas de 70 e 80 e vestir a famosa mortalha. Desde ent&aatilde;o a festa temática é realizada em diferentes Camarotes a cada carnaval.

Gravura : Manual do Folião 2014
A estampa do desenho é idêntica da mortalha
Criação de Pedrinho Rocha


macacão
Entre 1975 e 1983, a mortalha foi cedendo lugar ao macacão e ao short. No Carnaval de Salvador (Bahia, Brasil), surgiu tamb&ecute;m o MACACã, fantasia simbolo de blocos como o Traz-os-Montes e Clube do Rato, mas a mais nova safra de grupos como o Bloco Camaleão, Saku-Xeio e Pinel elevaram a mortalha à condição de unanimidade para os foliões do carnaval.

Isso até início dos anos 90, quando surgiu o abadá no Bloco Eva.


origem do abadá

Em 1993 o Bloco Eva lançou o abadá um traje carnavalesco com uma túnica menor e shorts e desde então, a mortalha foi cedendo espaço até ser praticamente quase extinta do Carnaval baiano. Com o passar do tempo as fantasias foram aprimorando e em 1993, o designer Pedrinho da Rocha criou uma fantasia para o BLOCO EVA que defilou no Carnaval da cidade de Salvador, (estado Bahia, país Brasil), liderado pelo Asa de águia (Durval Lelys) lançou a primeira versão do ABADá pelo designer e inovador PEDRINHO ROCHA.

O abadá, uma blusa de tecido também grosso, só que menor (à áltura das coxas), largo e reto, sem mangas que acompanha o kit: o shorts, tira de cabeça, tira de cintura, boné e "mamãe sacode" em uma sacola de plástico branca com os dizeres em azul: "ô, leva eu, eva eva, leva também o meu amor, eva, eva e vamos juntos na anevida, é Carnaval em Salvador (patrocinador Barcarolle).

Segundo o designer carnavalesco Pedrinho Rocha, criador do abadá : "Assim como Adão cedeu uma costela para criação de sua Eva, eu doei a idéia do abadá para o Bloco Eva. Com o perdão da brincadeira, foi o bloco Eva que me proporcionou um das realizações mais transformadoras, como criador, nessa grande festa baiana: alterar um dos ícones do Carnaval de Salvador: a "mortalha", espécie de túnica utilizada pelo folião. No episódio da ida da Banda Asa de águia para o bloco Eva em 1993, Durval Lelys sugeriu que o bloco me contratasse para desenvolver os trabalhos de design e publicidade [...]"



FOTO : Pedrinho Rocha cedida ao CarnAxE

1º Abadá do Bloco Eva
Carnaval de Salvador 1993 - Bahia
puxado pela banda ASA DE ÁGUIA


" [...] Numa reunião posterior com Hunfrey, diretor do bloco, ele me perguntou se eu tinha alguma idéia guardada e de pronto lhe falei sobre encurtar a mortalha. Ele ponderou dizendo que já tinham feito pesquisas com os foliões e eles reagiram negativamente à mudança. Questionou também sobre a parte de baixo, como ficaria, e eu lhe disse que poderíamos utilizar um short para compensar o encurtamento da fantasia. Para minha surpresa, considerando que eu já tinha ofertado a idéia aos blocos Pinel e Beijo, dois clientes tradicionais meus, ele topou na hora. Me pediu apenas exclusividade e sigilo e me disse algo assim: só existem duas situações em que podemos ousar: quando somos os piores, porque ninguem vai ligar, ou quando somos os melhores, porque ninquem vai reclamar. Claro, ele encaixava o Eva e o Asa na segunda hipótese.

Durante o desenvolvimento dessa nova fantasia, me veio a idéia de homenagear a capoeira e meu amigo Mestre Sena. Pensei em imitar a roupa com que se joga essa luta: o abadá." Durante o processo, porém, por conta de custos, viabilidades, etc, a idéia migrou para outro conceito, mas continuei chamando o projeto sigiloso de "abadá". Já perto do carnaval, Durval me perguntou se a tal novidade tinha um nome, eu falei que chamava o projeto de ABADÁ, e ele criou uma música que ajudaria a imortalizar a nova fantasia. No ano seguinte, todos os blocos passaram a utilizar o abadá.", completa Pedrinho.


origem da beca





FOTO : divulgção Grupo Eva

1º BECA do Bloco Eva 1998 (azul)
Em 2010 relançam a BECA
(azul, vermelha e laranja)

No Carnaval de Salvador 2010 (Salvador/BA) quando o Eva completava 30 anos, para homenagear o Bloco readaptaram a primeira BECA lançada originalmente em 1998. A criaçâo da Beca revolucionou a confecçâo de fantasias em todas as micaretas do Brasil, sobretudo no Carnaval de Salvador. O tecido, 100% poli&etilde;ster, era usado pelos maiores esportistas do mundo. E com a intençâo de fazer bonito na avenida e agradar os seus foliôes, o Eva vai resgatar esse grande sucesso. O modelo gola põlo serã apresentado em trÍs cores: laranja, vermelho e azul, e destaca a sublimaçâo como t&etilde;cnica de estamparia. Os produtores Jonha Cunha e Simone Sampaio estâo assinando as peças em parceria com Hasama Teixeira, diretor da empresa de confecçôes Fortiori.

- 1998 - lançamento da primeira BECA - AZUL - Bloco Eva puxado por IVETE SANGALO.
- 2010 - readaptaçâo da BECA onde acrescentou o logo do Eva estilizado, novas cores (azul, vermelha e laranja) e o emblema de 30 anos do bloco que foi puxado por SAULO FERNANDES, (azul, vermelha e laranja)

Em 1998, o Bloco Eva (puxado pela Banda Eva - Ivete Sangalo) tenta a dose no marco na evolução das fantasias e lança a BECA, muito bonita para a época - tecido diferenciado com camisa curta para as mulheres. Porém a adesão foi descartada pelos demais bloco. E em 2010, o bloco relança a mesma beca como abadá com mesmos emblemas da anterior, só que ganhou novas opções de cores, além do azul, vermelho e laranja. (um para cada dia: dom, seg e terça).

Com o passar do tempo, os tecidos empregados foram aperfeiçoados. Inicialmente era confeccionado em algodão e viscose, atualmente em poliéster, que seca rapidamente e facilita a transpiração. Antes era um único abadá para os três dias de folia (qui/sex/sab ou dom/seg/ter), em 2000 os blocos aderiram um abadá com estampas diferentes ou não, mas com cores diferentes.


acessórios

As mortalhas ou macacõ ou abadás eram entregues pelo bloco, dias antes do Carnaval de Salvador, juntamente com um kit folia. Na época das mortalhas era entregue chap&ecute;us, mamãe sacode, faixas para colocar na testa, adesivos, canetas e esquizer (garrafa d´água) personalizados (embrema do bloco), todos os itens em sacos de plásticos ou de pano.

Com o passar do tempo os kits foram aprimorando os chapéus foram substituídos por bonés. Em 2000 o mamãe sacode foi abolido, as faixas que era usado nas testas viraram bandanas (cabeça), os esquizers ficaram mais curtos, os adesivos grandes para vidro de carros passaram a serem os stickers pequenos para serem espalhados pelo corpo (virou uma febre com a patinha do Bloco Camaleão) e sacos de plásticos ou de pano por sacolas de brim ou couro, lindíssimas de viagem (Bloco Me Abraça; e o Bloco Camaleã foram os pioneiros), além de CD´s (começou com o Bloco InterAsA - Banda Asa de Águia), latas (Bloco Timbalada), Relógios (Nana Banana na Micarecandanga 1994)
CONTINUAÇÃO AQUI



BIBLIOGRAFIA
- pesquisadora Lilian Cristina Marcon que pulou no Bloco Eva em 1993 à 1998 no Carnaval de Salvador, Bahia
- Rocha, Pedrinho - "Abadá, o primeirão" e foto do abadã
- Emtursa (Empresa de Turismo de Salvador) - História do Carnaval.
- Grupo Eva, apresentaçâo da beca adaptada no site oficial

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