Há 60 anos, em Feira de Santana BA, não realizou-se o carnaval na data determinada por ocasião das fortes chuvas. Assim transferiu-se o período do evento, ficando conhecido como "Micarene", carnaval fora de época. Tamanho sucesso que repercutiu no nascimento da "Micareta". As micaretas, ou carnavais fora de época, festividade tipicamente baiana, espalha-se pelas capitais e grandes cidades do país, tornando-se um fenômeno cultural, uma reencenação em outras terras. Até mesmo pólos culturais com marcas carnavalescas típicas, como é o caso de Recife, embarcaram na onda micaretesca, com a promoção da Recifolia, nos outubros. E desta mesma Recife veio, casualmente, a sonoridade dos primeiros trios elétricos, pois estes iniciam sua marcha carnavalesca eletrificando o frevo pernambucano. No Carnaval de 1950, a "dupla elétrica" de Dodô e Osmar entrou pelo meio do corso do desfile dos grandes clubes com sua fobica pintada e duas bocas de alto-falantes reproduzindo o som do frevo nos "paus elétricos", após virem e ouvirem a Banda Mista Vassourinhas de Recife se apresentar em Salvador. A partir daí foi sendo gestado este novo modo de se brincar o Carnaval, de correr atrás do trio elétrico (nessa mesma época surgia o afoxé Filhos de Gandhy). As micaretas também participam desta história, contribuíndo a seu modo para a consolidação do trio elétrico como marca registrada do Carnaval da Bahia. Desde seu surgimento o trio elétrico está presente nas micaretas, particularmente na de Feira de Santana, onde aparece já em 1951, puxando o bloco soteropolitano Fantoches da Euterpe, convidado a participar pelos organizadores. Em 1953, o trio elétrico de Dodô e Osmar volta a se apresentar em Feira e é convidado pelo prefeito de Alagoinhas a se apresentar no ano seguinte na Micareta daquela cidade.