CARNAVAL DE SALVADOR
COMÉRCIO, CAMAROTES E VAIDADES

O poeta, Antonio Carlos de Oliveira Barreto inova o cordel baiano com o Carnaval de Salvador – Comércio, camarotes e vaidades, um cordel com 30 estrofes em septilhas.
Dei uma de jornalista
Em Salvador da Bahia
E fui consultar o povo
Pra comentar a folia
Que se chama Carnaval
Uma festa cultural
Que declina a cada dia.
— O carnaval tá careca
E fingindo que tem trança!
Muitos a ganhar dinheiro
Engordando sua poupança
E o pobre do folião
Precisa de um dinheirão
Pra poder entrar na “dança”.
— O carnaval era público
Porém tornou-se privado.
Toda a espontaneidade
Acabou-se com o mercado
De gente gananciosa
Prepotente e vaidosa:
Um esquema bem fechado.
— As ruas e avenidas
Estão sendo dominadas
Por blocos e trios elétricos
Das estrelas ”endeusadas”.
E os afoxés da gente
Raiz afrodescendente
Desfilam nas madrugadas.
— 60 anos de Trio
Nós precisamos louvar
Porque os nossos heróis
Chamados Dodô e Osmar
Tão chorando lá no céu
Diante do escarcéu
Que acabaram de instalar.
Bibliografia
- Literatura de Cordel de Antonio Carlos de Oliveira Barreto
- Apresentação parcial do Cordel adquirido