Cucubins Carnavalescos
Os Cucumbis carnavalescos, mais conhecidos como Cucumbis, Cucumbys ou Cucumbis Africanos, eram grupos festivos que desfilavam durante o carnaval percorrendo as ruas das grandes cidades e pequenos povoados, especialmente na segunda metade do século XIX.
Eram formados majoritariamente por pessoas negras - muitas delas libertas ou ainda vivendo o contexto final da escravidão - e faziam apresentações que misturavam dança, música, teatralidade e símbolos de origem africana.
"A essas hordas de negros de várias tribos, o Povo da Bahia denominou de Cucumbys e o das demais províncias de Congos."
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origem e história
Os Cucumbis carnavalescos percorriam as ruas das grandes cidades e de pequenos povoados.
No final do século XIX saíam às ruas em grupos de negros formados por homens e mulheres, vestidos de penas, tangendo instrumentos rudes,
cantando e dançando.
Nessa época, a Rua do Ouvidor, localizada na cidade do Rio de Janeiro, famosa pelos encontros de intelectuais,
abolicionistas e por comportar estabelecimentos que imitavam a moda parisiense,
Por essa rua passavam sociedades carnavalescas, grupos carnavalescos e pessoas que iam assistir e se divertir.
Entre esse imenso contingente de pessoas, estavam os Cucumbis.
"O desfile dos cucumbis consistia numa batalha, envolvendo a morte e ressurreição do filho do rei negro. Seus componentes vestiam roupas de penas, cocares, carregavam lanças, arcos e flechas, dançavam, cantavam e tocavam instrumentos de percussão."
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"A principal metodologia de análise sobre esses grupos, baseou-se em jornais e consultas a documentos primários. O registro mais antigo em jornais sobre os grupos carnavalescos de cucumbis, datam do ano de 1869, mas o auge da sua popularidade foi na década de 1880."
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Foi nessa década que os cucumbis estiveram presentes nos teatros, em composições musicais, na banda do Arsenal de Guerra e em eventos públicos da cidade. A cidade do Rio de Janeiro cantava, tocava e dançava os cucumbis.
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Crédito: Jornal Gazeta de Notícias - Rio de Janeiro 13/02/1888
"Entretanto, após a abolição da escravidão em 1888, as notícias sobre os cucumbis vão deixando de ser comuns nas páginas dos jornais, sendo a última notícia sobre esses grupos publicada no ano de 1896, a qual comunicava licença dada pela polícia aos cucumbis para sair em cortejo no carnaval daquele ano."
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"O registro mais antigo em jornais sobre os grupos carnavalescos de Cucubins, datam de 1869, mas o auge de sua populariedade foi na década de 1880. Foi nessas década que os Cucubins estiveram presentes nos teatros, em composições musicais e evm eventos públicos na cidade do Rio de Janeiro.
Rio de Janeiro, cantava, tocava e dançava os cucumbis." (02)
Com o passar do tempo, alguns grupos de Cucubins carnavalescos acabaram virando Sociedades Carnavalescas, outros foram se misturando aos ranchos e Cordões carnavalescos.
As Sociedades Carnavalescas que se tem notícia, são: "Cucubyns Lanceiros Carnavalescos", "Triumpho dos Cuucunbys", "Iniciadores dos Cucubys".

Acervo Biblioteca Nacional Brasileira
"Pesquisas demonstram que esses grupos, também, desapareceram das ruas da cidade pelo nome de cucumbis, sugerindo, assim, que tenham
se incorporado aos ranchos e cordões carnavalescos. Assim, esta proposta pretende dar destaque às organizações negras de uma forma racializada e contra-colonial, revisitando a história de celebrações pré-abolição para entender suas reverberações nos cucumbis carnavalescos, folias, ranchos, cordões e embaixadas no carnaval do pós-abolição." (02)
"Assim, não há aqui intenção em se ater ao que cristaliza como relíquias que celebram um passado que não se faz presente; mas sim analisar as formas de deslocamento, que mantêm vivas as memórias centro-africanas nos carnavais, que, paradoxalmente, não permanecem mais." (02)

Jornal Gazeta de Notícias - 03/02/1888
a dança do cucubins carnavalescas
Os personagens típicos dentro dos Cucubins Carnavalescos são: o REI, a RAINHA, o LÍNGUA, o QUILOMBO (Feiticeiro) e o CAPATAZ.
O Capataz é quem dirige, marca o rítimo do canto e da dança, sendo ao mesmo tempo, dançarino e cantor. Segundo o Jornal Gazeta de Notícias, no Carnaval de 1888:
"Estacando-se no centro do grupo, fazendo-se imponente para que todos parem, e o silêncio é profundo, por instantes.
Então, uma espécia de pasmo aponderam-se das figuras, em cuja fronte os cocares não agitam as plumas, e um grito de alerta, como de um
sentinela perdido nas solidões é deferido por esse persnagem carnavalescos bizarro".
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a fantasia do cucubins
A fantasia usadas pelos Cucubins Carnavalescos consistia em pemas até o joelho.
Na cintura, nos braços eram amarrados um lindo Cocar de tosteira vermelha. Vestiam botinas de Corvadão enfeitadas de fitas.
O Feiticeiro (Quilombo), o Rei e a Rainha ostentavam vestimenta luxuosa.
instrumentos utilizados pelos cucubins
Os instrumentos utilizados pelos Cucubins carnavalescos eram: Marimbas, Ganzás, Chequerês, Chocalhos, Tamborins, Agogôs e os pinos de cuia.
Pintura de Jean Baptiste Debret - 1826
Qual a diferença entre Cucubins e Congos?
Durante o Carnaval do Rio de Janeiro em 1888 - ano marcado pela abolição da escravidão, - manifestações como os Cucumbis e os grupos de Congo (ou Congadas) ocuparam as ruas como expressões distintas da cultura negra. Embora ambos carregassem referências africanas e atuassem como formas de resistência e celebração, havia diferenças importantes entre eles, especialmente em relação às origens culturais, às formas de apresentação e ao estilo dos cortejos.
De modo geral, os Cucumbis enfatizavam a energia da dança, o ritmo e a dramatização de temas ligados a identidades africanas, muitas vezes com um tom mais intenso e performático.
Já os Congos destacavam a representação de estruturas monárquicas e cerimoniais, com forte presença de elementos religiosos e simbólicos.
Ambos, porém, tiveram papel essencial na ocupação das ruas por populações negras e na afirmação cultural e política naquele momento histórico decisivo, contribuindo para a visibilidade das lutas e identidades no contexto da abolição.